Classe política desacreditada

A classe política brasileira está desacreditada e envergonhada. E isso ocorre porque, como já falamos antes e sinceramente, não precisa ser um especialista para entender isso, no momento atual, o pendulo ideológico tende à direita.

Queremos uma proteção maior à vida e lutamos contra a legalização do aborto.

Queremos uma proteção maior à vida e nos opomos ao estatuto do desarmamento.

Queremos uma proteção maior a vida e cobramos punições mais rígidas contra assassinos, quiçá, pena de morte.

Estamos fartos de ladrões, corruptos e aproveitadores. De qualquer natureza ou status.

Embora não siga nenhuma cor ideológica, a Lava Jato foi abraçada por essa direita, pois, enxergamos no trabalho da Policia Federal um start rumo a mudanças significativas no Brasil.

Não sou adepto da tese de que em nome da “governabilidade” devemos “contemporizar” ou, fazer malabarismos retóricos diante de situações suspeitas vindas de nossos governantes.

Nesse sentido, nos opomos ferozmente contra os últimos passos do governo Temer. Quando falamos do governo Temer nos referimos também ao Legislativo e Judiciário, que juntos, visam de forma velada ou não, intencional ou não, minar a Lava Jato.

Está claro que no discurso, todos apoiam a Operação. Na prática, as coisas não se dão bem assim.

Fica claro também que quando ocorreram as históricas manifestações em 2014 e 2016, muitos aderiram aos protestos com o único e claro objetivo de tirar o PT do poder em favor do atual presidente, quando, o objetivo real, era demonstrar ao PT e ao PMDB, tanto a Dilma, Lula e Temer, que para a maioria da população a classe política já está mais do que desacreditada. Queremos mudanças!

Se retrocedermos um pouco no tempo, veremos que as criticas a classe política via de regra partiam de políticos à esquerda. Lula já fez isso. Mais recentemente, Marina Silva fez isso. Mal comparado, é algo natural, pois até mesmo no Partido Comunista da URSS havia grupos se digladiando por poder e cargos. Ou seja, tanto na URSS quanto no Brasil de anos recentes, não se tinha oposição ideológica mesmo diante das mais acidas criticas que os políticos trocam entre si.

Assim, não enxergo como possível comparar a rejeição atual à classe política como algo que venha em beneficio da esquerda. Nomes como os de Lula, Aécio, Serra, Marina Silva, Alckmin e Ciro Gomes que são todos políticos alinhados com a esquerda têm índices de rejeição alto.

Qual a conclusão que tiramos disso? É provável que tal analise esteja errada, embora acreditemos que essa hipótese seja mínima. Nosso vislumbre é que a classe política está desacreditada porque a esmagadora maioria da classe política é alinhada ou flerta de forma descarada com a esquerda. Vejam lá. Dos políticos presidenciáveis citados algumas linhas acima, não há nenhum que possamos apontá-lo com ideias contrárias ao esquerdismo.

Visto por esse anglo, não nos surpreende que a Lava Jato sofra criticas a ataques vindos de diferentes pontos. Pois, o que está em jogo não é a simples queda de algumas cabeças graúdas. Nomes podem ser substituídos. A luta que se trava é pela sobrevida ou não, de um sistema, gerado, infectado e carcomido pela sanha progressista. Fadado desde seu nascedouro, a constantes desvios éticos e morais.

Nesse contexto, sugerir uma relação entre a oposição à referida classe política e um risco ao autoritarismo só pode ser algo vindo de alguém apegado com unhas e dentes ao status quo, ou, simplesmente, alguém cujo pensamento expressa uma severa anemia de conteúdo.

Já não estamos sob o julgo do autoritarismo? Qual outro nome se pode dá a décadas de imposição de uma visão política que ano a ano vem nos condenando ao atraso?

O establishment quer que tudo permaneça igual, com paliativas mudanças aqui e ali a fim de acalmar a população. Para isso, apostam na recuperação econômica. Com a melhora da economia, (quem não quer?) todos ficam de bom humor e voltamos à estaca zero elegendo ora alguém do PSDB, ora alguém do PT, com o PMDB fazendo o papel de sustentáculo para um ou para outro, conforme as conveniências e os cargos oferecidos.

Querem que continuemos a acreditar piamente nessa formula. Vendem-na como um amargo remédio que conforme o tempo nos trará bonança. Na verdade, está a nos oferecer uma venenosa jabuticaba. E não é que a jabuticaba internacionalizou-se. Continuam as chuvas de criticas contra Donald Trump. Continuam os apelos em favor da UE. De forma desavergonhada, sugere-se que apoiar Trump e enxergar com bons olhos o fim da burocrática União Europeia não se coaduna com os princípios democráticos que um bom conservador deve zelar.

Felizmente, o discurso do medo, do ódio e da desinformação, não tem prevalecido. Continuar a sugerir que a direita está fazendo o jogo de populistas e autoritários da esquerda é pedir que a direita ignore a origem desses mesmos que fazem desbaratado apelo.

Ser conservador não é sinônimo de um eterno abraço suicida ao status quo, sobretudo quando esse status quo negligencia, diverge e deturpa o mais simples e genérico principio do conservadorismo.

No caso brasileiro, insinua-se que o eleitor possa optar por um político “antipolítico” e aí vem como exemplo o prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, apesar de ser do PSDB. No âmbito nacional, aponta-se o fim dos tempos apocalíptico se Jair Bolsonaro continuar ganhando musculatura.

Como já está provado que a classe política está desacreditada pela população, a analise que se faz é a de que o povo quer algo diferente. Para alguns, esse diferente é lido como sinônimo de exótico.

Nada mais equivocado e reducionista. O povo está farto da classe política, mas por outro lado, o povo não quer algo diferente e muito menos exótico.

O povo, e digo povo tendo em mente a maioria dos brasileiros e sendo essa maioria conservadora, quer isto sim, alguém que os represente. Seja em seus anseios de ascensão social, com menos Estado e mais a iniciativa privada. Seja em suas recusas em não aceitar ter seus valores desrespeitados em nome de modismos comportamentais, jogados goela abaixo pelo politicamente correto. Este, como sabemos e o povo não é burro, não passa de autoritarismo em estado puro, funcionando dentro do que conhecemos por Estado Democrático.

Quem será esse representante do povo? Pode ser Bolsonaro, pode ser Caiado, pode ser outro nome que ainda surgirá. Disso ainda não sabemos.

Mas o que sabemos é isto: as aves de rapina que povoam por décadas a política nacional, não representam e nunca representarão o povo brasileiro e é por isso que a classe política está irremediavelmente desacreditada.

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Por Jakson Miranda

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