Cadê o bom senso, Estadão?

Confesso que fiquei meio confuso. Começo a ler o editorial do Estadão e percebo que o texto versa sobre as votações no senado e na Câmara ocorridas na terça.

O jornal saúda o que ele chama de bom senso a Câmara ter votado contra o distritão e contra a inclusão do financiamento privado a campanhas políticas na Constituição. Ressalvo aqui que de fato, o distritão não é o melhor modelo. Porém, e quanto ao financiamento?

Será que o Estadão vê como virtuoso o financiamento público? Será que o Estadão vê algum beneficio no atual fundo partidário? Esse último não foi excluído, claro, mas comemorar a votação de terça, é acreditar que tanto o atual modelo quanto o proposto pelo PT são melhores e francamente, não são, ou seja, não havia bom-senso nenhum na votação de terça.

Por outro lado, se o editorial restringe-se a comemorar  apenas a “derrota” do Deputado Eduardo Cunha, fica claro que o jornal aderiu ao oba-oba do PT e assim sem mensurar as conseqüências a saber: em votação realizada ontem, o presidente da Câmara “virou o jogo”. Que vergonha, hein, jornal Estado de São Paulo. E agora, falta bom-senso?

Quanto à votação no senado da MP 665, não irei entrar no mérito se foi acertada ou não, entretanto, deixo claro que, o atual governo não se sente constrangido em mexer nos direitos trabalhistas quando isso lhe é oportuno. Tal atitude, endossada pelo senado, não é representativo de bom-senso, mas sim, de oportunismo. Por que então não se coloca em pauta a reforma trabalhista?

Por fim, é sintomático nesse particular, o silêncio da CUT, da OAB e de tantos outros. É um silêncio ensurdecedor que mais uma vez, nos dá provas de que os interesses do trabalhador estarão sempre em segundo plano, quando os interesses do governo petista estiverem em jogo.

Por Jakson Miranda

 

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