As estranhas ideias de Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo é indiscutivelmente um ótimo escritor. Com audácia, foi um dos poucos no meio jornalístico a opor-se ao petismo ainda na época em que Lula obtinha 98% de aprovação popular.

Eu mesmo passei a admirar e acompanhar seu blog diariamente. (Sou um dos seus primeiros leitores em seu antigo blog). Nem tudo o que ele escreve eu concordo, isso é natural, e já li três livros escritos por ele.

Entretanto, com um pouco mais de atenção, é possível observar algumas contradições em seus posts. Salvo engano, tio Rei inúmeras vezes argumentava que em São Paulo não Havia racionamento de água, quando a própria Sabesp tomava medidas para coibir o consumo, visto que tal racionamento era iminente. Longe de este escriba ter a pretensão, neste texto, em apontar todas as contradições deixadas por Azevedo. No geral, são pouquíssimas.

Reinaldo Azevedo se notabilizou por sua competência em escrever bem, por sua oposição ao petismo e como consequência, por sua intransigente defesa da democracia, das liberdades individuais, do Estado de Direito, enfim, da justiça.

Azevedo é a favor da Operação Lava-Jato? Sim. Inclusive compartilhando elogios ao juiz Sérgio Moro. Entretanto, tenho notado esse entusiasmo inicial ser amenizado, ou até mesmo esfriado. Não quero dizer, nesse momento, que Reinaldo Azevedo oponha-se a Moro, longe de mim.

Não obstante, o mais famoso articulista político do país, tem descido “a lenha” na Operação Lava-Jato, em especial, após as prisões de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo. Em um texto escrito há alguns dias, escrevi o seguinte:

Em sua luta em apresentar-se como isento, acima das ideologias e brigas políticas, acima de juízes, Reinaldo Azevedo usa os mesmos argumentos dos petistas: Há o risco de um golpe em curso. Fascistas estão sobrepujando a democracia, o judiciário e a opinião pública para derrubar empresários e mais ainda, fragilizar, criminalizar e derrubar um partido político e um governo democraticamente eleito. Tudo isso porque é à esquerda no poder. Tudo isso para que os golpistas tomem o poder. Tudo isso com as vestes democráticas.

Não vejo aí nenhum exagero quando observamos o resultado da obra que Reinaldo Azevedo diariamente apresenta em sem famoso blog. Esta minha observação é isolada? Não. Dia desses, Diogo Mainardi, amigo do colunista da Veja, fez um comentário sagaz no blog O Antagonista. Está lá:

Elio Gaspari disse que “um dos mais talentosos criminalistas de São Paulo, advogado de empreiteiras, reconheceu há algumas semanas que até agora o trabalho do juiz Sergio Moro não deixou brechas para a anulação de suas sentenças nas instâncias superiores”.

O interlocutor de Elio Gaspari só pode estar errado, porque o mais talentoso de todos os advogados criminalistas das empreiteiras, Reinaldo Azevedo, não se cansa de afirmar o contrário.

Nada que venha abalar o impoluto tio Rei.

Pois bem, na recente edição da Revista Veja, Reinaldo escreve um longo artigo cujo tema é o financiamento de campanha. Antes de destacar um ponto do artigo escrito na revista, quero aqui fazer o seguinte esclarecimento:

Nós, do Voltemos à Direita somos TOTALMENTE contra o financiamento público de campanha, já demasiadamente financiada com verbas públicas. Porém, visto o gigantismo do Estado brasileiro e seu protagonismo na economia, manterem o financiamento privado tal como está, é inviável ou, teremos ano a ano, novas Operações como a Lava-Jato e não é todo dia que aparece um Sérgio Moro para investigar e punir os corruptos. Alguma coisa deve ser feita! Por que não adotar o sistema norte americano de financiamento eleitoral?

Voltando ao artigo de Reinaldo Azevedo. Pelo visto, Reinaldo Azevedo quer que o financiamento de campanhas mantenha-se como está. Ele quer mudanças no sistema político sem mudanças substanciais. É isso?

Em um determinado trecho do seu artigo, escreve Reinaldo: Empresários com os quais tenho conversado, alguns deles doadores regulares de campanha, com recibo, estão em PÂNICO. (destaque meu) Vêem nessas limitações o caminho certo do achaque e da extorsão.

O que é isso companheiro? Empresários doam voluntariamente a campanhas eleitorais, cujos dinheiros têm origem legal e mesmo assim têm receio de sofrerem achaque e extorsão? Tenho para esse ponto a seguinte explicação: mesmo com recursos legais, fruto dos lucros de seus respectivos negócios, esses empresários fazem doações com vistas em contratos com o governo, ou então, que parem de doar. Assim, tocarão seus negócios e não sofrerão achaques nem extorsões.

É moralmente correto fazer doações a campanhas com vistas em contratos com um futuro governo? É óbvio que não! Reinaldo Azevedo concorda que as doações tenham esse fim? Até a pouco tempo, eu acreditava que não, hoje, tenho sérias dúvidas.

Qual é o melhor sistema de financiamento político, Reinaldo Azevedo? Suas ideias estão muito estranhas, tio Rei.

 

Por Jakson Miranda

 

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2 comentários em “As estranhas ideias de Reinaldo Azevedo”

  1. Boa tarde, amigos!

    Também sou leitor do grande Tio Rei e divirjo dele em muitos assuntos, como no caso do “casamento” gay! Não acho as suas ideias estranhas. Apenas, sob certos parâmetros, ele está analisando a questão por um ângulo um pouco diferente. Nós, da direita, não formamos um grupo homogêneo. Aí está a nossa diferença em comparação com os comunas, que pensam em bloco, que seguem um comando central (o tal do “centralismo democrático”). Desse modo, na minha opinião, não há o que estranhar nas opiniões do Reinaldo Azevedo. Ele continua o mesmo Tio Rei de sempre.

    Fiquem com Deus!

  2. A corrupção ronda em tudo e é muito difícil ser incorruptível. Excelente artigo! Vamos aguardar e só o tempo dirá se nos tornamos um país sério…

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