Andres Sanchez e a espúria mistura entre política e futebol

Sou corintiano e aprovo a gestão de Andres Sanchez como presidente do meu time de coração. Encontrou um departamento de futebol devastado e, através de um novo enfoque, principalmente comercial, levou o time a um novo patamar, com a contratação de Ronaldo em 2009 e a montagem do time que posteriormente, já na gestão de seu sucessor Mario Gobbi, conquistaria o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial.

Sanchez, porém, não estava satisfeito. Envolveu-se com a CBF, entidade que fortaleceu ao implodir o Clube dos 13, mas com quem veio a romper antes da Copa dos 7×1, sendo hoje seu desafeto declarado.

A essa altura, já estava umbilicalmente ligado ao PT, próximo a Lula, que também corintiano (pausa para eu me envergonhar), estava “disposto” a colaborar com seu time de coração…

A linda Arena Corinthians (ok, sou suspeito para falar!) foi erguida para a Copa do Mundo numa engrenagem que ainda vai dar muito pano pra manga.

Lula, Odebrecht, Bndes…

Oportunamente, escreverei mais sobre a construção do estádio pela empreiteira amicíssima de Lula, com empréstimo via Bndes, a grande caixa-preta do governo petista.

Para completar o quadro, Andres candidatou-se a deputado pelo PT e foi eleito com votação expressiva. Como as promessas de sua campanha eram ininteligíveis (já que, com todo respeito, Andres mal sabe falar), conclui-se que sua eleição deve-se ao voto de corintianos, o que demonstra o tamanho de nossa fragilidade republicana: Tiririca e Andres Sanchez eleitos num mesmo pleito…

Não satisfeito, Andres assumiu cargo de diretor no Corinthians logo depois de eleito deputado, passando a atuar nas duas funções.

É ilegal? Não.

Mas é lamentável.

Outrossim, me deparo agora com a seguinte notícia na coluna Painel, de Lauro Jardim:

Luiz Fux acaba de autorizar a abertura de um inquérito no STF para investigar se Andres Sanchez omitiu patrimônio na declaração de bens que entregou ao registrar sua candidatura a deputado federal, no ano passado.

Sanchez declarou um patrimônio de 1,7 milhão de reais.

Não cometerei a indignidade de antecipar-me à investigação do ministro Fux. Espero que tudo seja apurado e, a despeito de meu antipetismo, espero que Sanchez não tenha omitido patrimônio, pois interpreto que tal atitude seria a ponta de um iceberg que poderia envolver acobertamentos mais amplos.

Havendo, contudo, irregularidade, que haja responsabilização, doa a quem doer.

A despeito do resultado, porém, manifesto meu irrestrito repúdio a essa espúria mistura entre futebol e política.

Quando consideramos que possa haver representantes eleitos a serviço do “corintianismo”, do “flamenguismo”, do “são-paulinismo”, do “palmeirismo” e etc, percebemos como ainda estamos engatinhando na construção de uma consciência política sólida e construtiva.

Nos permitindo a inocência de crer que candidatos ligados a equipes de futebol agem em defesa dos clubes que representam.

Não em benefício próprio.

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

Leia também: 

 

Boca Juniors x River Plate: Outra tragédia que poderia ter sido evitada

Eduardo Suplicy, o bichinho de estimação de Mano Brown

Jean Wyllys foge de debate com Malafaia

A Favor da Redução da Maioridade Penal

Caça a Petistas?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *