Análise: Como João Dória conquistou o eleitorado paulistano

A vitória de João Dória Jr. no primeiro turno da eleição paulistana possui elementos próprios que permitem uma análise sobre os novos ventos que sopram na política brasileira.

Numa eleição marcada pela confirmação do status declinante do PT, podemos já perceber alguns novos e interessantes movimentos no xadrez político.

Vi opiniões que atribuem o sucesso de Dória à maciça desaprovação de Fernando Haddad. Por Dória representar o projeto do flanco totalmente oposto, teria adquirido a simpatia do eleitorado enfastiado da demagogia do petista.

Não compartilho desta posição. Creio que se situa mais no campo da análise criativa do que na observação fria dos fatos.

Há exatamente um mês., Dória aparecia com 13% das intenções de voto nas pesquisas, em terceiro lugar. Lembramos que esta é a primeira eleição com campanha mais curta, e mesmo assim, em trinta dias, ele saiu do terceiro lugar e atingiu a liderança isolada, que culminou na excelente votação obtida hoje.

É claro que o maior tempo de televisão no horário eleitoral, a força do PSDB no Estado e o dinheiro, tanto de um grande partido, quanto do próprio Dória, são elementos que não podem ser dissociados deste sucesso, ademais, creio que mesmo toda esta conjunção de fatores apresentaria maior dificuldade em erigir tanto um outro candidato tucano.

Conversei com muita gente a respeito da eleição deste ano e foi possível distinguir os principais traços positivos que o eleitor comum encontrou em João Dória.

O ponto mais mencionado é o seu sucesso profissional e o discurso, reforçado sempre pelo candidato, de não ser um político profissional, e sim um gestor.

Considero isto um avanço. Vejo muita gente, como, por exemplo, Reinaldo Azevedo, na teoria um direitista, afirmar que esta desilusão com a política não é benéfica, mas como um defensor do capitalismo, num país cuja política de compadrio é sobrepujante, encaro sim com bons olhos.

É ótimo que a população prefira acreditar num gestor de sucesso, que trará uma visão de mercado, do que no populismo de um Russomano, no experiencialismo acadêmico de um Haddad, ou no esquerdismo light da nova Marta moderada.

Outro fator que caiu muito bem numa população cansada de desvios e corrupção foi a pouco mencionada, mas efetiva, decisão de Dória de abrir mão do salário e doá-lo. Demagogia ou não, o fato de que ele não precisa do dinheiro, e na teoria, não vai roubar os cofres públicos, soou como música aos ouvidos que escutaram tantos escândalos recentes.

De minha parte, espero que Dória realize um governo à direita. Inicie um processo de diluição da inflada máquina pública paulistana, privatize o Anhembi, Interlagos e o que mais puder, equilibre as contas do município, desfaça as sandices de Haddad na mobilidade urbana, revendo as ciclovias desertas que anulam faixas de grande circulação de veículos e desmontando a indústria de multas que embrulhou a cidade durante a última gestão.

Nós do Voltemos à Direita, a despeito de nossas desavenças com o tucanato, defendemos num artigo o voto em Dória, entendendo que sua trajetória, projeto político e ideais, eram os que mais se aproximavam, dentre as opções disponíveis, dos nossos.

Esperamos que este seja o ponto fulcral, a partir do qual São Paulo comece a voltar à direita.

Por Renan Alves da Cruz 

 

 

2 comentários em “Análise: Como João Dória conquistou o eleitorado paulistano”

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