A “teologia” de Antonio Gramsci

Antes de tornar-me pastor tive a oportunidade de frequentar cursos universitários e aprender um pouco de economia, filosofia e direito. Assim, fico à vontade para escrever algumas linhas para os irmãos de fé e demais amigos sobre certos aspectos que relacionam a fé cristã e a cultura onde vivemos e nos movemos.

Mas, quem foi esse tal de Antonio Gramsci e o que ele pensava acerca da religião?

O homem

Antonio Gramsci, filho de Francesco Gramsci e de Giuseppina Marcias, nasceu em 1891, em Arles, Sardenha, Itália. Político, ativista e filósofo marxista, Gramsci foi líder e fundador do Partido Comunista Italiano. Conheceu e admirou a URSS de Lênin. Encarcerado por ordem de Mussolini, morreu em 1937, aos 46 anos, com saúde precária, pouco tempo depois de ser posto em liberdade.

A “Teologia”

Mas um marxista tem teologia, pastor?

Sim. Já em Marx é encontrado o famoso libelo contra Deus:

“a religião é o ópio do povo” e o não tão conhecido “a autoconsciência do homem é a mais alta divindade que existe.” (“As Idéias de Marx”, David McLellan, Cultrix, 9ª Ed. 1993, p. 35)

Marx ensinava com isso que a religião oferecia anestésico ao povo rude e comum e o desviava da verdadeira causa dos problemas desta vida: economia, capitalistas, propriedade privada, entorpecimento da mente.

Marx tinha “teologia”. Gramsci tinha “teologia”. Teologia de que Deus não existe que Ele é criação humana, que Deus mais atrapalha do que ajuda.
A seguir comprovo com palavras do próprio Gramsci seu pensamento “teológico”, tudo extraído do livrinho “As ideias de Gramsci”, de James Joll, Cultrix, 1977. Lá vai:

“Nós somos parte do movimento da reforma moral e intelectual… cuja primeira premissa foi a de que o homem moderno pode e deve viver sem o apoio da religião…sem a religião revelada, a religião positivista a religião mitológica ou qualquer outro de seus ramos que se queira nomear.” (p. 20)[Grifo meu]

“…em 1917, porém, publicou uma tradução de if, de Kipling, como ‘um breviário para os anticlericais’ (Breviario per Laici), ‘ exemplo de moral não poluída pelo cristianismo, que pode ser aceita por todos os homens.” (p. 24) [Grifo meu]

Na consciência dos homens, o Príncipe [o Partido] assume o lugar da divindade ou o imperativo categórico e torna-se a base de um moderno laicismo e uma completa laicização de todos os aspectos da vida e todo relacionamento habitual.” (p. 74)[Grifo meu]

 

Conclusão

 

E daí, pastor?

Enxergo pelo menos três coisas importantes agora:

1ª – As idéias de Gramsci estão vivas no Brasil porque alguns dos nossos partidos de esquerda “rezam” na cartilha do pensador da Sardenha e muitos professores o ensinam nos cursos universitários de pedagogia e ciências humanas como solução possível para a educação brasileira.

2ª – Gramsci defendia a revolução social e moral lenta, com ocupação de espaços pelos comunistas nas escolas, nos jornais, nas universidades, no uso das artes e na Igreja. Ele preconizava que o Partido Comunista deveria capitanear a conquista da hegemonia cultural em face da ideologia burguesa (da qual faz parte a Igreja). Ou seja, Como não ver ligação entre a oposição ao cristianismo levada a efeito por PT, PSOL, PSB, etc e o ensino gramsciano?

3ª – Pelas poucas palavras de Gramsci que reproduzi, fica claro o quanto a religião deve ser banida e rechaçada e as cabeças, refeitas.

Enfim, fica o aviso e a mensagem de alerta sobre a “teologia” de Antonio Gramsci. “Teologia” essa que faz parte da reforma moral, social e intelectual que os comunistas/socialistas realizam no Brasil de 2015. “Teologia” essa que tem conseqüências sobre a vida e a fé do cristão. Mas não só a fé do cristão; a “teologia” de Antonio Gramsci atinge qualquer fé que você professe.

 

Por Pr. Marcos Paulo

 

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Um comentário em “A “teologia” de Antonio Gramsci”

  1. Parabéns! Texto muito apropriado que nos remete a uma pura analogia com o Partido dos Trabalhadores. Para muitos brasileiros este governo, como suas várias frentes assistencialistas, representa sua própria “salvação”. Na mente destes o próprio partido se torna um deus.

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