A revolução do juiz Sérgio Moro

Recentemente, o historiador Marco Antonio Villa sacudiu (AQUI)  as redes sociais com música para os ouvidos:

 “não a justiça em abstrato mas um juiz que tem vergonha na cara neste país”.

Sérgio Moro, eis o homem. Um juiz, não um tribunal; um homem, de ossos, nervos e tendões, não o homem dos tratados antropológicos; um indivíduo, não a multidão.

Trabalhando em sintonia fina com abnegados da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o juiz Moro revoluciona o Brasil. Trazendo à tona a decência, faz ver para quem não tem trave nos olhos que “ainda há juízes em Berlim”. Mostrando que ainda existe coragem e independência em nossa terra, apesar dos poderes e poderosos.

O juiz Moro, procuradores e delegados poderiam fazer bem menos que isso. Poderiam dizer que as forças com que lidam são colossais – e são mesmo – e que poderiam por sua vida e de seus familiares em risco – há notícias disso circulando por aí. Se eles fizessem assim, continuariam recebendo a mesma remuneração de cada dia. Não fazem isso por dinheiro, portanto. O fazem por outras razões e, entre elas, parecem estar a decência, a ética, a verdade, a justiça, a transparência. Valores abstratos encarnados em gente com sangue circulante.

“Não a justiça em abstrato, mas um juiz!”, gritou Villa.

O juiz Moro é emblema e encarnação da equipe de procuradores e policiais que compõem a já vitoriosa Operação Lava-Jato.

Ao ver o memorável desabafo de Villa – com mais de dois milhões de visualizações -, lembrei, na tradição profética de Israel de crítica social, da figura de Isaías. Canal de palavras duras e incisivas para o povo de Israel, as palavras de Isaías ficaram como norte para toda gente:

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!
(Isaías 5:20)

 Muitos têm alegado sutilmente em favor de Lula que o brasileiro é antiético por formação e que a corrupção é generalizada também nos níveis pedestres da sociedade brasileira: sonegação de tributos, fura-filas, propinas ao guarda, DVD pirata, etc. É verdade, isso tudo existe no Brasil. Mas alegar torpeza própria ou de outrem para não apenar Lula ou qualquer outro é argumento fraco e imoral. Desse jeito, se se for levar essa premissa em conta, toda a atividade judicante é anulada, posto que o juiz Moro e equipe, como todo mundo, tem limitações e fraquezas em algum aspecto da vida. Imagine qualquer juiz que, diante de criminoso inconteste, fosse por ele indagado: “- Excelência, o Sr não pode me sentenciar porque o Sr não é perfeito!”.

Bingo! Acabou a atividade judicante!

Sim, o juiz Moro e equipe podem e devem continuar fazendo o que estão fazendo, a despeito das falhas e deslizes – grandes e pequenos- de cada um de nós e deles próprios. A atividade judicante, repito, não pode ser anulada pelos lapsos morais de quem que seja, muito menos porque os lulistas tentam sugerir isso redes sociais afora.

Não é porque não posso comprar que não aprecio uma Ferrari. Não é porque cometo erros que ninguém pode ser julgado.

Termino repetindo Villa: “Não a justiça em abstrato mas um juiz”.

Parabéns, juiz Sérgio Moro! O Brasil muda a passos apressados… pela revolução de um juiz!

Saúde!

 

Por Pastor Marcos Paulo

 

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Um comentário em “A revolução do juiz Sérgio Moro”

  1. A natureza tem horror ao vácuo, os humanos à verdade. Entre elas – das verdades – aquela que o homem só amadurece na luta da iniciativa privada, faz com que a maioria inconscientemente apegue ao lado paternalístico da vida, principalmente o político ou público “estabilizado”. Uma coisa é ter um cpf e uma carteira assinada, outra coisa, de outro mundo, é ter um cnpj e assinar carteiras…

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