A previsível declaração de Mauro Iasi

Para quem conhece um pouquinho a mais do pensamento comunista não espanta a declaração do professor-doutor Mauro Iasi. Em resumo: “cova e paredão a conservadores”. Sim. Isto foi dito com todas as letras por ele.

Filiado ao PCB e candidato a Presidência da República em 2010 e 2014, Mauro Iasi é doutor em história pela USP e ex-presidente da Associação dos Docentes da UFRJ. Veja que currículo o homem tem. Mas miolo que é bom…

Em palestra para grande audiência, o dr. Iasi foi aplaudido efusivamente por ter proferido a gravíssima afirmação – “cova e paredão a conservadores”. Isso tudo inspirado no teatrólogo marxista Bertolt Brecht, após invocar dos infernos o guru Antonio Gramsci.

Por favor, antes de continuar a leitura, veja o vídeo abaixo, de 23’ a 25’: 29, que mostra o disparate de Iasi.

Saltam aos olhos dois fatos pelo menos: o primeiro é que Mauro Iasi não é um militante qualquer do PCB. Ele é um quadro das galáxias, com projeção nacional naquela agremiação. Ex- candidato a Presidência da República, professor, doutor em História. Em outras palavras, o que esse homem diz tem peso no Partidão. Além disso, a julgar pelos aplausos com que foi presenteado, dá pra ver que muita gente concorda com o que ele falou. Iasi foi o-va-cio-na-do. Eis o acontecimento.

O segundo fato não menos grave é que Iasi não teve o mínimo constrangimento em afirmar que, com conservador não há diálogo e, num endosso às palavras de Brecht, vaticinar: “cova e paredão para eles”. Não houve figura de linguagem; ele lançou mão de literalidade.

Quem prestou bem atenção à gravação, ouviu que, antes de citar Brecht, Iasi menciona o grande estrategista do comunismo Antonio Gramsci. E a moral de Gramsci não tem nada de conservadora, não traz nada parecido com “sim, sim; não, não”. Pelo contrário, a moral deve servir ao Partido.

Desta feita, trago mais uma vez  a voz de Gramsci a partir do livreto “As idéias de Gramsci, de James Joll, Ed. Cultrix:

“O exercício ‘normal’ da hegemonia na área que se tornou clássica, a do regime parlamentar, caracteriza-se pela combinação da força com o consenso, que varia no equilíbrio entre eles, sem que a força exceda de muito o consenso. Assim, tenta conseguir que a força pareça respaldada pelo acordo da maioria, expresso pelos chamados órgãos de opinião pública – jornais e associações (…) A meio caminho entre a força e o consenso ficam a corrupção e a fraude.” (p. 77)

Ou seja, Gramsci parece endossar a suposta prática da “direita” e dá a entender que existem três caminhos para o Partido Comunista exercer hegemonia no regime democrático: consenso, força, corrupção e fraude. No Brasil de 2015, da corrupção, cuida o PT; do consenso, cuidam todos os que apoiam o Comunismo e seus satélites e facetas; da força, cuida Mauro Iasi.

O pior de tudo é que a franqueza de Iasi não espanta quem conhece pelo menos um pouco do pensamento marxista. A declaração tranquila e serena de Mauro Iasi  – “cova e paredão para conservadores” – é totalmente previsível.

 

Por Pr. Marcos Paulo

 

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