A direita e a liberação de cassinos no Brasil

(Artigo publicado em 01/12/2019)

Em meio a informações de uma nova tentativa de liberação de cassinos no Brasil, a deputada estadual Janaína Paschoal usou as redes sociais para se posicionar contra. Segundo a deputada, “cassinos em regra, trazem um combo de coisa ruim”. Na sua postagem, Janaína também questionou os que se dizem conservadores e apoiam a ideia.

Alguns nomes influentes nas redes, claramente de viés liberal, discordaram da deputada, outros, nem tão liberais assim, seguiram o mesmo caminho. Aqui, poderíamos dizer que nem tudo é preto no branco, uma vez que o ex-governador José Serra (muito a esquerda) é contra a abertura de cassinos no Brasil.

Há mais de 20 anos combato veementemente a reintrodução dos cassinos e a difusão, em cada esquina, de máquinas eletrônicas de jogos. Ao contrário do que se diz, há farta comprovação científica da associação entre jogo e problemas sociais. O jogo facilita a lavagem de dinheiro; induz ao aumento da violência, inclusive doméstica; eleva o absenteísmo e as fraudes no trabalho; leva muitas famílias à ruína econômica; e expande o alcoolismo, o uso de drogas e a criminalidade em geral. É pouco?

Como dissemos anteriormente, poderíamos argumentar que nem tudo é preto no branco, ocorre que nesses temas não consigo imaginar a direita conservadora apoiando algo como a legalização dos cassinos no Brasil.

O argumento que alguns usam, de que não cabe ao Estado dizer o que o cidadão deve fazer, poderia muito bem ser usado por aqueles que apoiam a legalização da maconha e outras drogas, bem como, por aqueles que defendem a descriminalização do aborto. Calma lá. Nem tudo é dinheiro!

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Felizmente, evangélicos e católicos, fora e dentro do Congresso, têm se posicionado contra. O deputado Marco Feliciano foi ao cerne da questão.

“A jogatina leva ao vício, e o vício destrói famílias. O Estado não pode ser sócio disso. Dizem que aquece a economia. Qual o preço de uma família destruída”?

Justiça seja feita, até mesmo a CNBB, que todos já conhecem bem suas preferências, é contra a proposta.

Não é apenas por moralismo que a proibição de cassinos no Brasil precisa continuar

A proibição de cassinos no Brasil já dura 73 anos. Em 1946 quando o então presidente Eurico Gaspar Dutra, assinou o Decreto Lei 9.215, não tínhamos mais de 60 mil assassinatos por ano. Também não tínhamos organizações criminosas bem estruturadas que hoje lucram milhões com roubos e tráfico de drogas, buscando valer-se de todos os meios para lavar seus milhões.

Oras, em 2017 o Ministério Público Federal afirmou que a crise das contas públicas impedia que o governo garantisse a fiscalização necessária para liberar o jogo. O quadro atual não deve ser muito diferente. Por outro lado, nossos serviços de segurança pública não conseguem acabar com o crime organizado. Logo, não é necessário ser um gênio na matemática para saber o resultado da somatória desses dois fatores.

Assim, ao invés de discutir a legalização dos jogos de azar, (cassinos, etc) deveria se discutir uma maior repreensão às casas de jogos clandestinos e acabar definitivamente com a estrutura das facções criminosas que se perpetuam de norte a sul do país.

Por fim, sou conservador, reconheço os benefícios do livre mercado, TODAVIA, a liberação de cassinos no Brasil, pra mim, é algo fora de cogitação.

Por Jakson Miranda

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