A democracia e o indivíduo que não sabe votar

Essencialmente, a palavra democracia nada mais é do que os indivíduos decidindo os rumos de um país, estado ou município. Como inexiste democracia sem o respeito aos direitos individuais, nossa liberdade de escolha através do voto está atrelada a liberdade dos outros em não concordarem com a decisão tomada por este ou aquele. Nesse contexto, geralmente se afirma que fulano ou sicrano não sabe votar.

Em se falando de Brasil, se partirmos da premissa de que desde 1989 foram eleitos políticos que pouco ou nada fizeram em prol daqueles que os elegerem, podemos não enxergar muitos argumentos contra o fatídico veredicto de que o brasileiro não sabe votar.

Eis a falha do sistema democrático. Concorde-se ou não, deve-se respeitar a escolha tomada pela maioria, seja essa uma escolha sábia ou um arrematado desvario. E mesmo diante de uma péssima decisão, não cabe àqueles que não a tomou, criarem para si um novo sistema em uma nova sociedade. Como bem disse Winston Churchill,

 “A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”.

Entendemos que Churchill qualifica a democracia como a pior forma de governo porque se trata de uma forma de governo que dá o mesmo valor numérico ao voto de um dito erudito e ao voto de um individuo comum. Nesses casos, por entender que enquanto o erudito fez uma escolha sábia e os demais não, cabe aos primeiros convencer os últimos.

Analisando essa questão mais de perto, podemos chegar à conclusão que tudo isso nada mais é do que uma absurda esquizofrenia, uma vez que os “bem pensantes” é que podem está completamente cegos pela ignorância enquanto que o humilde cidadão está farto dessa cegueira que conduz todos a um abismo.

Em outras palavras, compreende-se que a democracia se torna a pior forma de governo quando, empolado sob o verniz da soberania do povo, busca-se praticar uma sutil, porém, cruel ditadura. Explico-me: quando a maioria dos eleitores opta por um determinado representante, tal escolha só passa a ser qualificada se a mesma receber as bênçãos dos autoaclamados sábios, eruditos e intelectuais. É o que estamos a observar na atual disputa eleitoral.

É quase uma unanimidade, entre esses, que o candidato Jair Bolsonaro representa o oposto da democracia, ou seja, elegê-lo é um atestado de que não sabe votar, ou, uma escolha vinda de  alguém que é antidemocrático. Foi assim também em eleições passadas quando a maioria tendia a escolher qualquer candidato um pouco mais afastado da esquerda.  Nos EUA, no pleito que elegeu o republicano Donald Trump, ocorreu o mesmo fenômeno.

Para finalizar, ressaltamos que não é algo restrito à esquerda. Ao final das eleições de 2014 que elegeu a candidata do PT, não foram poucos os que se revoltaram e culparam os eleitores da candidatura vencedora de não saberem votar.  De fato, afirmar que esse ou aquele não sabe votar é algo natural em uma sociedade multifacetada.

O que não é natural, normal ou aceitável é querer fazer deste termo uma norma e uma justificativa para sistematicamente corromper e manipular a liberdade de escolha conferida a cada individuo. Assim, deixamos de ter democracia e o voto passa a ser nada mais do que uma aclamação do autoritarismo. É o que querem alguns! Para a turma, o pai de família, a dona de casa, o aposentado, o trabalhador, não sabe votar e por isso, precisam da autorização dos especialistas.

Por Jakson Miranda

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