A decadência da Revista Veja

Sou assinante da Veja e assino outras revistas do Grupo Abril. Nunca concordei com tudo o que li, e nem acho que devesse ser desta forma. O contraditório de bom nível é salutar. Discordo pontualmente de pensadores e articulistas a quem muito respeito e admiro, como Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo. Faz parte do enriquecimento intelectual.

Entrementes, não pude me furtar a perceber que minhas convicções e premissas e as de Veja começaram a se distanciar no ano de 2015. O que era aceitável e benéfico começou a ficar incômodo. Na condição de assinante, comecei a me questionar:

Vale a pena sustentar um veículo de mídia que não está me representando?

Não quero posar de censor, já que jamais tive qualquer intento de coibir o que não é de meu agrado. O ponto é: se Veja, que se sustentou por muito tempo como um bastião de lucidez na grande imprensa brasileira, ameaça guinar para as sombras, que arque com o ônus de suas escolhas.

No caso, a insatisfação de seus leitores e sustentadores.

Veja demitiu Rodrigo Constantino, uma das vozes ascendentes da direita brasileira, que tem se notabilizado pela coragem e firmeza com que enfrenta o petismo e a esquerda como um todo.

Depois, demitiu Joice Hasselmann, que à frente da TVeja realizava um trabalho brilhante,  denunciando os abusos dos bandidos do poder.

Em minha coluna no Voltemos à Direita eu já havia elencado momentos em que a revista defendera posições questionáveis, mas ainda mantivera tudo no campo da discordância pontual.

Até a ainda hoje, meses depois, inexplicável reportagem de Kalleo Coura sobre o Desarmamento, que, sem qualquer fundamento argumentativo sólido, assumiu uma das maiores bandeiras da esquerda, contrariando a própria posição que a revista assumira sobre a questão quando houve o referendo.

Se isso não é assumir uma guinada à esquerda, é o que?

Na edição especial da Retrospectiva 2015 (que foi, sem sombra de dúvidas, a pior dos últimos anos), a matéria de capa, sobre o juiz Sérgio Moro, ficou a cargo de André Petry, que já havia ido ao Roda Viva advogar contra a Redução da Maioridade Penal neste ano, outra patacoada tão grande quanto a adesão da revista ao desarmamentismo.

Petry, ao abordar o uso da “Teoria do Domínio do Fato” por Sérgio Moro num caso, alegou que a diferença entre a aplicação da teoria por Moro e da aplicação do ministro Joaquim Barbosa no julgamento de José Dirceu foi que no primeiro caso o “domínio do fato delitivo por parte do réu era inteiramente incontroverso”.

Oras, ou estou lendo em javanês, ou André Petry, na reportagem principal de uma das mais importantes edições anuais da revista, questiona a contundência da condenação de José Dirceu?

Em seguida, a notícia de que Veja simplesmente pulverizou o arquivo de textos de Rodrigo Constantino, tornando-o indisponível. Tal atitude grotesca, aparenta ser uma retaliação ao articulista, pelo questionamento oportuno que Constantino tem feito de matérias e posicionamentos da revista.

Imaginar que Veja possa estar tentando policiar seu ex-colunista através de uma atitude tão mesquinha revela uma faceta autoritária e tacanha, típica dos grupelhos a quem Veja sempre se opôs, conquistando assim seus leitores e assinantes, grupo a qual fiz parte durante anos.

Porém, não mais. Não renovarei minha assinatura, que vencerá em breve.

Enquanto cidadão de direita, Veja não mais me contempla.

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

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14 comentários em “A decadência da Revista Veja”

  1. Não consigo nem ler as edições a que tenho direito, também não vou mais renovar a assinatura. Cansei, fico entediada tentando adivinhar nas entrelinhas o que querem dizer afinal. Clareza e posicionamento são indispensáveis nesses momentos políticos estranhos e antidemocráticos, já que DEVEMOS concordar ou aceitar tudo, senão somos rotulados e perseguidos. Não preciso pagar para ler bobagens…

    • É isso que mais me afronta… Pagamos para ler coisas que não nos representam, e de repente. A revista era boa, e guinou para as sombras de repente.

  2. Virou uma revista de frivolidades.Tem colunista social, edita matérias abordando a vida de celebridades globais, jogadores de futebol e cabeleireiros.
    Não renovei minha assinatura de 21 anos ( a conta é deles)
    Prefiro a Revista do Radio.

    • Excelente, Helio, é isso mesmo. Se eles preferem desprezar leitores que há anos sustentavam a revista, para defender frivolidades e progressismo tacanho, não contarão com nosso dinheiro para isso.

  3. A raiz dessa esquerdização tem nome: verbas fáceis do BNDES, a juros baixos, aplicadas no mercado financeiro, com excelentes lucros. Capital de giro sem custo e inesgotável. Isto, até Bolsonaro pegar a caneta desesquerdizadora.

  4. Nem a ameaça da liquidação falimentar parece iluminar o novo patrono da massa falida da abril. Petista de carteirinha, demitiu seus articulistas de direita e agora sofre com o cancelamento de milhares de assinaturas, ou seja, ruma direto e certo para o encerramento definitivo, que é muito bom porque as pessoas querem informações sem viés nenhum, somente informação correta e essa revista não entrega mais isso.

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