A ciclovia em Zigue-zague

Já demonstrei aqui em inúmeros textos que estão no arquivo do blog, que sou crítico ferrenho das ciclovias de Haddad. Acho que beneficiam pouquíssima gente em detrimento da maioria que prefere outros meios de locomoção, prejudicam o comércio, são malfeitas, caras demais e estão sendo colocadas nos lugares errados.

Mas a notícia mais chocante sobre ciclovias desde que o (des)prefeito começou a pintar o chão da cidade de vermelho se deu realmente com o desvio de rota de uma ciclovia na Zona Sul:

Leiam a reportagem de Felipe Souza, na Folha de São Paulo:

A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) abandonou o projeto de uma ciclovia em linha reta na zona sul de São Paulo e implantou, duas quadras abaixo, uma faixa exclusiva para bicicletas repleta de desvios e remendos.

A troca, no ano passado, beneficiou a família do secretário de Transportes, Jilmar Tatto, que acumula o cargo de presidente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), órgão responsável pela implantação das ciclovias.

O traçado adotado desviou a ciclovia de cinco imóveis de sobrinhos e irmãos de Tatto que seriam afetados pelo projeto original –ou pelo novo, caso fosse feito em linha reta.

(…)

Folha visitou os cinco imóveis da família Tatto. Em todos eles havia carros estacionados na porta, por onde passariam as faixas de bikes.

Sobrinho do secretário, Leonardo Jesus Tatto, 39, é sócio de um prédio na rua Américo Brasiliense e diz que a ciclovia original teria prejudicado o comércio dele.

“Ela [ciclovia] deve continuar onde está. Se ela vier para cá, vamos perder muitas vagas de estacionamento.”

Prefeitura faz ciclovia que desvia de imóveis da família do secretário de Transportes

Observem o mapa! É batom na cueca, como costumam dizer! Não há como defender o que foi feito. O projeto foi bisonhamente modificado para um traçado absurdo, que, por coincidência, protege todos os imóveis da família do secretário.

E o tal Leonardo Jesus Tatto, mui amigo, ainda diz com todas as letras que a ciclovia tem que continuar onde está, senão atrapalhará as vagas para estacionar!

É por essas e outras que o Ministério Público não pode desistir de investigar todo o projeto de ciclovias da cidade. Jilmar Tatto deveria ser afastado dos cargos que acumula e os comerciantes prejudicados, usando os dados oferecidos pela reportagem, deveriam entrar com ação judicial.

Neste caso, todo apoio aos querelantes!

E o pior de tudo, o que mais dói, é ver tanto absurdo por causa de ciclovias que vivem mais desertas que o Atacama!

 

Por Renan Alves da Cruz

 

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