2016, Revista Época e Walcyr Carrasco

Mais um excelente texto do nosso estimado colaborador, Pastor Marcos Paulo. Aproveitem a leitura e compartilhem. Mas, o motivo desta nota inicial é de antemão, destacar o que o Pr. Marcos Paulo nos confessa nesse seu novo artigo.  Cancelou sua assinatura com a Revista Veja. E ele não é o único e não são poucos os que estão seguindo o mesmo caminho. Por quais motivos? Com a palavra, a editora Abril. 

Voltemos à Direita

Chega 2016. E com o novo ano, novos planos. Uma das medidas que adotei para o ano novo foi, depois de dez redondos anos de leitura da Revista Veja, dar um tempo no contato com esse periódico. Cancelei a assinatura.

Vejo que “veja” tem dado leve guinada à esquerda em vários assuntos. Virada sutil mas resoluta.

Resolvi, então, experimentar os semanários Época e IstoÉ (Carta Capital seria de mais!). Tanto uma como a outra são conhecidas por ter viés esquerdista, apesar de, quando necessário, não poupar críticas ao lulismo e companhia. Tudo velho nessa seara. Mesmo assim, achei que não devia recuar. Dessa forma, em 2016 pretendo ler Época toda semana e em 2017 será a vez da IstoÉ.

Com certo atraso, passei a vista na coluna assinada por Walcyr Carrasco, o “Natal das novas famílias” (Época, 28 dez. 2015).

Fiquei espantado com o que li. A prosa de Carrasco não dói nem mata; pelo contrário, alegra e traz vida; é fluida e dá gosto de ir até o fim. Meu espanto também não se deu pela defesa elegante das novas famílias que Carrasco elaborou. Tudo velho nessa seara.

O problema do texto de Carrasco foi a argumentação utilizada. Ele foi carrasco do bom raciocínio e da boa inferência. Ele defende a adoção de crianças por pares de pessoas do mesmo sexo. “Tudo bem, que venham as evidências do Carrasco”, pensei.

O que me espantou foram as falsas dicotomias trazidas pelo cronista e o frágil apoio lógico e teológico que ele trouxe. Não espero do Carrasco o tirocínio do teólogo profissional, até porque o gênero textual em análise permite certa flexibilidade. Todavia, quem quer brilhar como gourmet que aprenda a cozinhar.

O Carrasco, então, generaliza, faz ilações descabidas e compara de forma simplória e paupérrima. Coisa mais ou menos assim:

Quem é contra as novas famílias, é contra a felicidade das pessoas”;

“O olho por olho, dente por dente foi substituído por amai ao próximo como a ti mesmo”;

“Os radicais religiosos na verdade não são frustrados sexuais?”

“Ah, desejo às novas famílias que tenham um grande Natal, com presépio e Menino Jesus”.

Não tenho estômago para querer refutar minimamente as platitudes acima. Só lembro que o mesmo “Menino Jesus” de Carrasco afirma na mesma Bíblia lida por ele que não veio pôr fim à Lei de Deus (a Torá do Eterno). Como dever ter sido o Natal das novas famílias?

Como disse, fiquei espantado: como um prosador tão bom e tão competente, chega a níveis tão xucros de raciocínio e de desconhecimento do tema de que trata (Teologia Bíblica)? Arrisco dizer que isso acontece porque ele escreve sobre o que ignora. Além disso, acaba se passando por sábio diante de leitores bem intencionados mas incautos. Pobre cultura que rende loas a um homem desse. Cegos aplaudindo cego! Repito: não exijo do Walcyr conhecimento profundo de Teologia… mas se quer brilhar como gourmet, Carrasco, que aprenda a cozinhar.

Pelo visto, minha resolução de ler Época em 2016 promete…

 

Por Pastor Marcos Paulo

 

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